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6 mitos e verdades sobre saúde mental

  • Foto do escritor: Cliniprev
    Cliniprev
  • há 16 minutos
  • 6 min de leitura

duas mulheres sentadas em um sofá conversando
Você provavelmente já percebeu como falar de saúde mental se tornou algo cada vez mais comum, nas redes sociais, nas rodas de conversa e no trabalho. Mesmo assim, alguns conceitos ainda se misturam com preconceitos, frases prontas e ideias equivocadas que acabam afastando as pessoas do cuidado que elas precisam.

Neste texto, vamos direto ao ponto: esclarecer 6 mitos muito comuns sobre saúde mental e o que, de fato, é verdade sobre cada um deles. A proposta aqui não é dar um manual completo, mas ajudar você a olhar para o tema com mais clareza e menos julgamento de si mesmo e dos outros.


Se algum desses mitos já passou pela sua cabeça ou foi dito por alguém próximo, vale a pena seguir a leitura até o fim.


Você sabe mesmo o que é saúde mental?


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde mental é um estado de bem-estar em que a pessoa é capaz de reconhecer suas próprias habilidades, lidar com os estresses normais da vida, trabalhar de forma produtiva e contribuir com a sua comunidade.


Em outras palavras, não se trata apenas de “não ter um transtorno”, mas de conseguir viver com mais equilíbrio e qualidade de vida.


A saúde mental está diretamente ligada ao bem-estar geral. Ela influencia o sono, o apetite, a disposição, a produtividade, os relacionamentos e até o modo como o corpo responde a doenças físicas.


Quando pensamos em saúde, portanto, não estamos falando de duas coisas separadas, corpo de um lado, mente de outro, mas de um conjunto que funciona de forma integrada, inseparável. E é esclarecendo essa concepção que chegamos ao primeiro mito.


Mito 1: Saúde mental não é tão importante quanto saúde física


Esse mito costuma aparecer em frases como “é só coisa da sua cabeça” ou “importante mesmo é não ter nada sério no corpo”. A ideia por trás dele é que, se não há um exame alterado ou um sintoma físico evidente, então o problema não é tão relevante assim.


Na verdade, saúde física e saúde mental estão diretamente conectadas. Alterações emocionais podem influenciar o sono, a imunidade, o apetite, a pressão arterial e vários outros aspectos do organismo. Da mesma forma, dores crônicas, doenças cardíacas, hormonais ou autoimunes, por exemplo, aumentam o risco de desenvolver ansiedade e depressão.


A saúde é integral. A divisão entre “física” e “mental” é apenas uma forma didática de organizar o conhecimento, mas, na vida real, tudo acontece ao mesmo tempo, em um só corpo.


Cuidar da mente e cuidar do corpo faz parte do mesmo movimento: cuidar de si por inteiro.


Mito 2: Apenas pessoas com transtornos graves precisam de terapia


Muita gente ainda acredita que terapia é “caso extremo”, algo reservado apenas para quem está em um sofrimento intenso ou com um diagnóstico já estabelecido, como depressão grave, transtorno bipolar ou psicose.


Na verdade, o processo terapêutico não se limita a transtornos graves. A terapia pode ajudar em situações do dia a dia, como dificuldades em lidar com mudanças, luto, conflitos familiares ou de relacionamento, problemas no trabalho, sensação de sobrecarga, baixa autoestima, inseguranças e dúvidas sobre o próprio caminho de vida.


Pensar que “só quem está muito mal precisa de terapia” é o mesmo raciocínio que faz muitas pessoas deixarem de prevenir doenças físicas. Assim como vamos ao médico para fazer check-ups ou ajustar pequenos incômodos antes que se tornem algo maior, a terapia também tem um papel preventivo.


Ela oferece ferramentas para que a pessoa se conheça melhor, entenda seus padrões e consiga agir de forma mais saudável diante das dificuldades.


Mito 3: Problemas de saúde mental são sinais de fraqueza


Esse mito costuma vir acompanhado de julgamentos, como “é falta de força de vontade”, “no meu tempo ninguém tinha isso” ou “é drama”. Ele sugere que quem enfrenta um problema de saúde mental é, de alguma forma, mais fraco ou menos capaz de lidar com a vida.


Na verdade, problemas de saúde mental têm causas específicas e multifatoriais. Eles envolvem aspectos biológicos, psicológicos e sociais: genética, histórico familiar, experiências de vida, traumas, ambiente em que se vive, nível de estresse, apoio social, além de outros fatores. Assim como qualquer outra condição médica, podem atingir qualquer pessoa, independente de caráter, fé, força ou “garra”.


Ter ansiedade, depressão ou qualquer outro transtorno mental não significa fraqueza. Significa que há algo acontecendo que precisa de atenção, compreensão e cuidado adequado, assim como uma gripe, uma crise alérgica ou uma dor nas costas também precisam.


Mito 4: Depressão é só tristeza e pode ser superada com força e vontade


Frases como “é só reagir”, “anima, isso é falta de ocupação” ou “quem quer, sai dessa” são exemplos de discursos que minimizam a depressão. Elas reduzem uma condição complexa a uma questão de escolha pessoal, como se bastasse decidir ficar bem.


Na verdade, a depressão é uma condição real, reconhecida clinicamente e classificada com código próprio na Classificação Internacional de Doenças (CID).


Ela envolve alterações no funcionamento do cérebro, afeta sono, apetite, energia, concentração, motivação, visão de futuro e até sintomas físicos. Não se trata apenas de tristeza: muitas pessoas com depressão descrevem um vazio, uma falta de sentido, uma incapacidade de sentir prazer em coisas que antes eram agradáveis.


Dizer que depressão se resolve “na marra” é problemático porque desresponsabiliza o acesso ao tratamento e aumenta a culpa de quem já está sofrendo. Ninguém diria a uma pessoa com pneumonia ou diabetes para “usar só a força de vontade” para se curar. Com a depressão é a mesma lógica: é preciso acolhimento, acompanhamento profissional e, em alguns casos, medicação, sempre com avaliação especializada.


Mito 5: Ir ao psiquiatra significa tomar remédios automaticamente


Muitas pessoas evitam o psiquiatra por medo de sair de lá já com uma receita na mão ou de ficar “dependente de remédios para sempre”. Isso acaba atrasando a busca por ajuda, mesmo quando o sofrimento já é intenso.


Na verdade, ir ao psiquiatra não significa, automaticamente, usar medicação. O papel desse profissional é avaliar de forma ampla o quadro da pessoa: sintomas, história de vida, outros problemas de saúde, uso de substâncias, contexto familiar e social, entre diversos outros pontos. A partir disso, ele define se há indicação de remédio, qual, por quanto tempo e em qual dose.


Assim como acontece em outras especialidades médicas, a medicação só é prescrita quando realmente é necessária. Em muitos casos, o tratamento combina acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia e mudanças de hábitos.


Quando o medicamento é indicado, ele é uma ferramenta de cuidado, não um atalho fácil, nem algo que substitua o processo terapêutico.


Mito 6: Terapia é perda de tempo, basta desabafar com amigos


Desabafar com amigos é valioso e faz bem. Ter uma rede de apoio, alguém que escuta sem julgamento e oferece carinho e presença, é uma das proteções importantes para a saúde mental. Mas isso não significa que conversar com amigos seja a mesma coisa que fazer terapia.


Na verdade, são experiências diferentes e complementares. O terapeuta é um profissional capacitado, com formação específica, que possui uma escuta ativa e treinada. Ele segue uma abordagem técnica, utiliza métodos e ferramentas baseados em conhecimento científico, mantém sigilo profissional e tem uma posição ética de não julgamento.


Um amigo, por mais querido que seja, está envolvido na sua história, tem opiniões próprias, expectativas e, muitas vezes, também está atravessando seus próprios desafios. Já o terapeuta oferece um espaço neutro, seguro e estruturado, focado no seu processo. Por isso, o ombro amigo é importante, mas não substitui o acompanhamento terapêutico.


Por que é importante combater esses mitos?

Mitos sobre saúde mental não são apenas “mal-entendidos inocentes”. Eles têm impacto real na vida das pessoas. Podem fazer alguém demorar anos para buscar ajuda, sentir vergonha dos próprios sentimentos, esconder sintomas, abandonar o tratamento ou achar que precisa “aguentar tudo sozinho”.


Quando combatemos esses preconceitos, abrimos espaço para um cuidado mais humano e eficaz. Pessoas se sentem mais à vontade para falar sobre o que sentem, famílias compreendem melhor o que está acontecendo, empresas conseguem acolher melhor seus colaboradores e a sociedade, como um todo, passa a enxergar a saúde mental como parte essencial da saúde.


Cuidar da mente não é luxo, exagero nem sinal de fraqueza. É uma forma de preservar sua qualidade de vida, seus relacionamentos, sua capacidade de trabalhar, estudar e aproveitar o que é importante para você.


E, se você percebe que algo não vai bem há algum tempo (sono desregulado, cansaço constante, desânimo, ansiedade intensa, irritabilidade, perda de interesse em atividades que gosta), esse pode ser o momento de buscar apoio profissional.


Dar o primeiro passo é, muitas vezes, o movimento mais difícil, mas também o mais importante para te devolver a qualidade de vida que você merece.


Na Cliniprev, você conta com uma rede de especialistas preparados para te acolher, avaliar com atenção o que está acontecendo e indicar o tratamento mais adequado para o seu caso.


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